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terça-feira, 2 de outubro de 2012

"Amor Eterno" - Florença




Foto: A.Campeão

Cadeados na Ponte Vecchio (Florença) »» Representam o Amor eterno. Os casais penduram dois cadeados interligados, e pendurados na ponte Vecchio para que o amor perdure no casal.
Actualmente não é permitido pendurar cadeados e a Comuna de Florença mandou retirar os que lá estavam.
Apesar disso tenho colocado os meus cadeados nas minhas passagens por Florença.


domingo, 2 de setembro de 2012

Como fazer o chá de tília


Contrariamente ao que muita gente faz, o que se deve aproveitar para o chá de tília são os apêndice que surgem junto às bagas da tília, após a floração, e não as folhas ou flores.



  •  Folhas de tília, bagas e apêndices florais.




  • Bagas e apêndices florais


Após a floração da tília, aparecem uns cachos de bagas e uns apêndices florais presos aos mesmos.

Deve separar-se o apêndice das bagas e desprezar as mesmas

Seguidamente colocar esses apêndices a secar em local seco e sem ser ao sol directo

Quando estiver bem seco devem-se partir grosseiramente os mesmos

http://jardimpomarhorta.blogspot.pt/

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A Origem das Açordas

Parece inquestionável que a açorda é uma dádiva da presença dos árabes pelas nossas terras. Parece também que a açorda é um prato de subsistência, provavelmente na sequência de crises alimentares. E a sua chegada até nós deve-se à sua facilidade de confecção e sobretudo à mistura simples de produtos de base. O pão foi sempre, e ainda é, um alimento estruturante da nossa alimentação.

Quando analisamos as fontes, receituário, da presença árabe na península encontramos muitas sopas às quais se adicionava pão esfarelado ou cortado grosseiramente. Parece ser esta a origem das açordas. No entanto quase só na zona sul do país assumimos a designação açorda. Este termo nunca aparece associado às sopas de pão que ainda hoje se confeccionam nas Beiras ou Trás-os-Montes.

E temos a grande variante da açorda, que já não é sopa, e que se transformou num prato de referência em Portugal. Ninguém abdica na zona costeira das variadas açordas de peixes e marisco.
No tratado de cozinha árabe, Kitâb-al-tabîj, dos séculos X e XI, de autor anónimo, encontramos a primeira designação de açorda. Noutro tratado, de Ibn Abd al-Ra’uf, também se refere a açorda, com a designação de Tarid [thari:d] ou Tarida, em árabe, que quer dizer pão migado, ao qual se junta alho, coentros e água quente.

Em consulta de dicionários de árabe encontramos ainda o termo Ath thurdâ, que significa sopa com pão.
Mas é no século XIII que nos surge o mais famoso tratado da época. Trata-se da obra “Fudalat al-Khiwan…” escrito por Ibn Razin Tujibi entre 1238 e 1266, e cujo título eu traduzo, a partir do francês, para “As Delícias da Mesa e os Melhores Tipos de Comida”. Neste livro há um capítulo dedicado às Panades (sopas com pão) logo de seguida ao capítulo do pão. Encontramos 25 receitas de Panades maioritariamente enriquecidas com carnes desde o frango ao capão, passando pelo pombo e borrego ou pelo cordeiro. Também aparecem três receitas de leite que terminam sempre com açúcar e canela pelo que deveriam pertencem ao grupo da doçaria. Curioso é de notar que já existia uma receita de Panade afrodisíaca.

Surpreendente é verificar, quando consultamos receituário contemporâneo dos países do Magrebe, não encontrar as famosas sopas com pão. Será pela alteração na fabricação do pão? E isto devido à influência francesa durante a primeira metade do século XX?
Parece, no entanto, que será desta prática de sopas com pão que nasceram, e se transformaram, as nossas açordas.

Como referi no início o pão, ainda hoje, é um elemento estruturante da nossa alimentação. E no passado o pão teria que ser consumido na sua totalidade pelo seu valor de apoio permanente ao consumo. A sua aplicação na sopa seria uma forma de utilizar o pão mais velho e mais seco. Seria a sua absorção integral.

Encontramos em Gil Vicente possivelmente a primeira designação de açorda, na Farsa dos Almocreves: “Tendes uma voz tão gorda/ que parece alifante/ depois de farto de açorda”. E ainda não havia os actuais conceitos de estética do corpo, que hoje temos!

Todos sabemos que as sopas eram pratos de importância e capazes de fazer uma refeição completa e o pão cumpria bem a missão de a fazer engrossar. A castanha tinha utilização regional e a batata ainda estava longe de aparecer.

No primeiro livro de cozinha impresso em Portugal, de Domingos Rodrigues, “A Arte de Cozinha…”, em 1680, é feita uma clara distinção entre caldos e sopas, sendo que estas eram sempre confeccionadas com pão, ou este adicionado no final. Algumas vezes, e seria designação corrente, chamavam sopas às fatias de pão sobre as quais se colocavam produtos cozinhados especialmente carnes. Também Domingos Rodrigues nos apresenta três sopas doces, sempre com pão e açúcar e canela.

No livro que em seguida se publicou em Portugal, de Lucas Rigaud, “Cozinheiro Moderno, ou Nova Arte de Cozinha…”, em 1780, e com uma preocupação mais elitista da cozinha e a tentativa de instalação da moda francesa, não deixa de referir várias sopas iniciando a confecção da maioria com a preparação do pão. É pois constante que a designação de sopa esteja sempre associada ao pão.

Não encontrei a palavra açorda nestes nossos primeiros dois livros. Será que o termo estava destinado às confecções domésticas?

Em 1876 publica João da Mata o seu “Arte de Cozinha” especialmente destinado aos profissionais. Encontramos aqui a açorda com bacalhau, uma sopa de pão à portuguesa e ainda outras sopas com pão. A açorda aqui receituada não é uma sopa mas uma açorda muito semelhante às que hoje encontramos. Este livro entra com facilidade no século XX e será o manual dos profissionais da época.
Mas é com Carlos Bento da Maia, edição de 1904, com o título “Tratado Completo de Cozinha e Copa”, que as açordas aparecem como confecção culinária e ilustradas com onze receitas, e fazendo bem a separação das muitas sopas com pão. Estamos na época do aparecimento de restaurantes, e a cozinha regional começa a evidenciar-se. Continua a haver, no entanto, um espírito de copiar a cozinha francesa dado que apenas esta é assumida como alta cozinha.

A presença da cozinha regional portuguesa, nos restaurantes, é assumidamente um acto positivo a partir dos anos 40. A imposição legal de nas Pousadas de Portugal, inauguradas a partir de 1942, ser obrigatoriamente servida cozinha regional, e projectadas como locais de elite, levou muitos restaurantes a seguir o seu exemplo. Em 1936 publica-se o livro “Culinária Portuguesa”, de António Maria de Oliveira Bello no qual é verdadeiramente feito o elogia e defesa da cozinha regional, onde são apresentadas sete receitas de açorda. Já mesmo autor tinha publicado no livro “Culinária”, 1928, uma receita de Açorda de Alhos à Portuguesa enquanto sopa à base de pão, sobre a qual se colocava ovos estrelados preparados à parte, ou ovos escalfados… Será a partir desta receita que nos aparece a “açorda à alentejana”, que enquanto açorda é a única sopa do nosso receituário regional?

Em 1940 publica-se o livro “Volúpia” de Albino Forjaz de Sampaio, e na minha opinião o primeiro livro de gastronomia em Portugal. O autor na sua descrição do Portugal Gastronómico lá refere a açorda, e apresenta mesmo uma receita em verso do poeta José Inácio de Araújo: “Açorda Portuguesa”, que classificada de invenção portuguesa, alimento fortificante e capaz de ter derrotado os mouros.
Mas qual é a realidade das açordas na cozinha portuguesa? Primeiro temos a açorda/sopa de que a Açorda Alentejana é o melhor exemplo. Depois a glorificação das açordas como prato completo e a imensa variedade de receituário desde o Douro, toda a costa atlântica com peixes e mariscos, da Beira ao Alentejo com o bacalhau, e o Alentejo com as carnes de porco e enchidos. Temos ainda o conceito de açorda como guarnição, ou complemento, de que saboreamos o excelente exemplo com sável e respectiva açorda de ovas. E teremos sempre açordas maravilhosas enquanto mantivermos a qualidade do nosso pão. Podem-se criar novas receitas, e mais inventivas. Pode molhar-se o pão com canja de galinha e misturar depois o marisco. O que não pode ser alterado é o nosso pão.


(C) Virgilio Nogueiro Gomes


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

TOQUIM BARRETO - O PILOTO ESQUECIDO



Recordando um piloto incompreensivelmente esquecido

António Joaquim Borges Barreto, Toquim para os amigos.

Toquim Barreto passou pelo automobilismo desportivo como um meteoro, numa

curta carreira de apenas três anos, mas onde mostrou todo o seu grande entusiasmo e

coragem que o poderiam ter alcandorado a um lugar muito alto se o destino não o

tivesse impedido de chegar onde ele e todos nós esperávamos.

Inicia-se na competição automobilística em 1964, com 23 anos, na VI Volta a

Portugal, organizada pelo clube "100 à Hora" e, perante o espanto de todos, conquista

o 1º. lugar, vencendo uma prova onde era um estreante a enfrentar adversários muito

mais experientes.

Numa entrevista dada ao Diário de Lisboa a 6 de Dezembro daquele ano, Toquim

diz:

"Sou estreante. Nunca entrei em provas, se bem que conduzo há bastante tempo.

Sinceramente lhe digo: quis avaliar o prazer destas andanças. Não sabia nada disto e

não queria deixar de experimentar as sensações que outros volantes têm tido. Agora

não desisto mais..."

E não desistiu. Primeiro com um Porsche e depois num Ferrari 250 MM (spider

Vignale) que adquiriu a D. Fernando de Mascarenhas.

Em 1955 classifica-se em 7º. lugar no G.P. de Portugal, em 10º. no G.P. de Lisboa,

em 2º. na Rampa da Penha em Guimarães e em 1º., na classe, num Quilómetro de

Arranque.

Em 1956, no G.P. do Porto obtém o 4º. lugar com um Ferrari 750 Monza (spider

Scaglietti) adquirido também a D. Fernando de Mascarenhas.

Compra, então, um Ferrari 500 TRC com que inicia a sua carreiras internacional

nas 10 Horas de Messina onde alcança um 3º. lugar ganhando a "Taça dos Novos".

Parecia estar lançada a via que o transportaria ao seio dos grandes pilotos

mundiais.

Em entrevista dada ao "Volante", em 15 de Setembro, com entusiasmo diz:

"Vou para Itália, onde me demorarei poucos dias, apenas o tempo necessário para

alguns treinos na Ferrari. Depois sigo para França onde no dia 23, em Saint-Etienne

disputarei uma prova de circuito à qual devem correr todos os "bons" e em que eu

correrei oficialmente pela Ferrari."

Perante o espanto do entrevistador, Toquim informa-o: "Exactamente pela Ferrari.

Em Messina já corri pela Ferrari mas agora é verdadeiramente oficial a minha

presença na equipa".

E, em resposta à pergunta do entrevistador se se tornava profissional, Toquim diz-

lhe que "É essa a minha intenção. Tenho 25 anos e reconheço que posso fazer

qualquer coisa interessante. Lá fora escasseiam os corredores novos: julgo que a

ocasião é de aproveitar..."

Porém, o destino não quis que assim fosse e... no dia 30 de Maio, nas "6 Horas de

Forez", espera-o para cortar todos os sonhos de glória deste extraordinário piloto de

quem tanto havia a esperar.

Quando seguia em terceiro lugar, o carro de Piero Carini despistou-se, derruba a

barreira entre as duas rectas da corrida e vem chocar, a mais de 200 km/h, com o de

Borges Barreto, ocasionando a morte imediata de ambos.

O Toquim não morre motivado por qualquer falha mecânica ou humana, mas

porque aquela hora e naquele local estava destinado que outro carro levantasse voo e

viesse cair em cima se si pondo ponto final em todos os sonhos e projectos daquele

que poderia muito bem ter sido o primeiro piloto de Fórmula 1 português com

possibilidade de alcançar lugares cimeiros, pois iria correr numa equipa onde nenhum

outro do seu país conseguiu chegar.

Évora inteira chorou a morte daquele filho querido da terra que depois de lhe ter

proporcionado tantas alegrias com os seus êxitos lhe trazia agora o luto e a dor.

Por entre uma multidão imensa que lhe quis prestar a última homenagem, o caixão

foi transportado aos ombros desde a igreja na Praça do Giraldo, no centro da cidade,

até ao cemitério já fora das muralhas.

Entre as muitas flores que juncavam a sepultura, destacavam-se duas coroas pelo

seu significado: a da família do malogrado Piero Carini e a de Enzo Ferrari que,

assim, prestava a última homenagem a este fugaz representante do "cavallino

rampante".

E, apesar do incompreensível esquecimento a que este grande piloto foi votado no

seu país, no livro dos principais pilotos da Ferrari a sua fotografia lá está com a

legenda, bem significativa da personalidade de António Borges Barreto, o legendário

Toquim:

"...AVEVA CORAGGIO E PASSIONE: É MORTO A SOLI 26 ANNI..."

Fonte: Armando de Lacerda

(A Paulo Piçarra e ao Diário do Sul o meu muito obrigado »» disponibilizou todas as fotografias e artigos

existentes no seu jornal. Armando de Lacerda.)

Segredos naturaes para conservar a CASTIDADE, e reprimir os estimulos da carne


Escreve Macenia, que o çumo da herva chamada Segura, bebido em jejum, reprime os estimulos da carne, e as suas folhas postas sobre os genitaes, diz que tem virtude de applacar os incentivos da luxuria.
A vicena escreve que a arruda comida mitiga os odores da carne no homem: na mulher pelo contrario, porque os aviva em excésso.
O Mestre João diz que o Orjavão tem mui grandevirtude, e efficacia para reprimir a luxuria; porque applicada aos lombos mitiga, e applaca grandemente os estimulos da carne.
Diz mais o mesmo Author, que o çumodo Orjavãobebido causa impotencia a quem o toma por espaço de sete dias. EscreveDioscordes, que fruta, que produz o Cedro, pizada, ou o çumo de suas folhas posto nos genitais, desterra a potência de actos venereos. Michael Escoto diz com muito fundamento, que todas as cousas agras, frias, e azedas se accommodão bem com a castidade, conservando-a; e pelo contrario as cousas doces, quentes, e odoriferas a estragão de todo. Porém fallando espiritual, e catholicamente, o que mais conserva, e deffende a castidade he o jejum, disciplina, e oração frequente; e com muita devoção.

in "Fysiognomia e varios segredos da natureza" de Jernymo Cortez - Livraria Universal